
Porto Velho, RO — O contingente de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil recuou para 1,499 milhão em 2025, correspondendo a 4% da população na faixa etária de 5 a 17 anos. Os dados constam na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (16/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontando uma queda de 9,2% em relação a 2024, quando havia 1,65 milhão de menores nessa condição.
Na comparação com 2016, período em que o país registrava 2,1 milhões de trabalhadores precoces, a redução acumulada chega a 28,6%. De acordo com o IBGE, a retração recente resulta da convergência entre a atuação do Ministério Público do Trabalho (MPT), o suporte de transferência de renda do programa Bolsa Família, o aquecimento do mercado de trabalho com desemprego em patamares historicamente baixos e o aumento consistente da renda domiciliar per capita das famílias brasileiras.
O levantamento aponta que o número de crianças e jovens em trabalho irregular dentro de domicílios beneficiários do Bolsa Família despencou 41% entre 2016 e 2025, além de registrar frequência escolar superior (89,8%). Houve recuo marcante também nas chamadas piores formas de trabalho infantil (TIP) — listadas no Decreto Federal 6.481/2008 por envolverem riscos graves à integridade física, saúde e desenvolvimento moral —, que atingiram o menor índice histórico, somando 525 mil pessoas (1,4% da população jovem).
Em termos regionais, a Região Norte apresentou a maior proporção do país, com 6,3% de sua população de 5 a 17 anos submetida ao trabalho precoce, enquanto o Sudeste registrou o menor índice relativo (3,3%), embora concentre o maior número absoluto (481 mil). No perfil sociodemográfico, os meninos compõem 65,4% dos trabalhadores identificados e a população negra e parda representa 67% do total atingido pela vulnerabilidade laboral.
Quanto aos setores econômicos, o comércio (29%) e a agropecuária (16,7%) lideram a ocupação desses jovens, com 36,3% do grupo cumprindo jornadas superiores a 25 horas semanais. O instituto adverte que a permanência escolar sofre grande prejuízo entre os adolescentes de 16 e 17 anos, faixa na qual 67% estão na informalidade e a taxa de frequência na escola recua para 79,6%, frente à média geral de quase 90% observada no país.
Fonte: Secom
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