Levantamento de entidade analisa propostas dos candidatos e alerta para ataques a povos de terreiro durante a campanha. Tomaz Silva/Agência Brasil

Porto Velho, RO — O enfrentamento ao racismo e a garantia da liberdade religiosa seguem como temas centrais no debate eleitoral do país. Uma publicação do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (Idafro) comparou as propostas e ações dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro voltadas à igualdade racial e ao combate à discriminação.

O minidossiê elaborado pelo Idafro analisa as diretrizes registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A análise aponta que a candidatura de Lula propõe o fortalecimento de ações afirmativas, regularização de territórios quilombolas e proteção à juventude negra, além de ter criado o grupo para a política nacional de povos de terreiro. Por sua vez, a proposta de Flávio Bolsonaro prioriza a implementação de reconhecimento facial na segurança pública e não menciona termos específicos de inclusão racial em seu plano impresso.

O estudo também chamou a atenção para o aumento do racismo religioso e de conteúdos desinformativos divulgados durante a campanha eleitoral. O uso estigmatizante de imagens de rituais de matriz africana e postagens falsas em redes sociais reforçam o preconceito e atingem diretamente a comunidade de praticantes de religiões de matriz ancestral.

A diversidade religiosa do país conta com proteção constitucional garantida pela laicidade do Estado. No entanto, dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, contabilizaram 2.774 denúncias de intolerância religiosa entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026.

O serviço de denúncias do Disque 100 funciona de forma gratuita, 24 horas por dia, permitindo que vítimas e testemunhas relatem episódios de violência, discriminação e violação de direitos em todo o território nacional.

Fonte: Secom