Levantamento do Observatório Itaú e Datafolha revela barreiras econômicas e temor da violência no acesso a eventos culturais. Cena do Filme Kasa Branca/Divulgação

Porto Velho, RO — A ampliação do acesso gratuito a atrações como cinemas, peças de teatro, apresentações musicais e exposições artísticas desponta como a principal reivindicação da população para as políticas públicas do setor. Conforme apontam os dados da 7ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, divulgada nesta quarta-feira (14/10), 42% dos brasileiros consideram que a gratuidade deve ser a prioridade máxima a ser implementada pelos novos governantes.

O levantamento, realizado pelo Observatório da Fundação Itaú em parceria técnica com o Datafolha, evidencia que o direito à cultura permanece distribuído de forma desigual entre as classes sociais. Enquanto 63% dos cidadãos das classes A e B compareceram a salas de cinema nos últimos 12 meses, a frequência despenca para apenas 18% entre o público das classes D e E — um abismo de 45 pontos percentuais. Além disso, 33% dos entrevistados afirmaram não dispor de nenhum equipamento cultural na região onde moram.

O peso orçamentário decorrente do transporte e do preço das entradas desponta como o principal fator desestimulador para 35% dos respondentes. Entre aqueles que relataram ter despesas regulares com lazer presencial, 46% gastam mensalmente até R$ 100, enquanto uma fatia de 8% desembolsa valores superiores a R$ 400. Especialistas ressaltam que o distanciamento não reflete desinteresse das faixas de menor renda pela arte, mas sim limitações socioeconômicas concretas.

A insegurança urbana e o medo da violência figuram como a segunda maior causa de afastamento, afetando a decisão de 30% dos participantes, com destaque para a apreensão com roubos (47%) e a escassez de policiamento nas imediações dos centros culturais (43%). O receio de assédio e violência contra mulheres avançou para 27% na média geral, atingindo 38% do contingente feminino. Diante dos desafios, 32% cobram novos museus e teatros públicos e 22% exigem fomento contínuo a iniciativas artísticas nas periferias.

Fonte: Secom