Porto Velho, RO — Cerca de 2 milhões de pessoas atuaram profissionalmente por meio de aplicativos e plataformas digitais no país em 2025, revelou a edição temática da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Divulgado nesta sexta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o levantamento mostra que o contingente de 1,959 milhão de trabalhadores representou 1,9% de todos os ocupados no território nacional.
O segmento de transporte de passageiros concentra a maior parcela da categoria, reunindo 1,2 milhão de motoristas, o que equivale a 58,9% do total. Desse universo, 1,1 milhão opera em ferramentas como Uber e 99, enquanto 232 mil utilizam exclusivamente soluções de táxi. Já os entregadores de mercadorias e alimentos, atuando em operadoras como iFood, Rappi e Zé Delivery, totalizaram 376 mil pessoas (19,2%), ao passo que a prestação de serviços gerais reuniu 313 mil profissionais (16%).
Entre os trabalhadores que possuem as plataformas como ocupação principal, o volume subiu para 1,8 milhão em 2025, consolidando avanço de 36,8% em três anos frente a 2022. No perfil demográfico apurado, 84,4% são homens e 47% têm idade entre 25 e 39 anos. A impossibilidade de conseguir outro emprego formal foi descrita como a principal razão para a adesão aos serviços digitais de transporte e entregas.
Embora o rendimento médio mensal do trabalho principal tenha ficado em R$ 3.147, patamar idêntico aos R$ 3.148 dos trabalhadores convencionais, a remuneração horária revelou forte defasagem. Os plataformizados registraram uma jornada média de 44,7 horas semanais, cumprindo 5,4 horas a mais que os não plataformizados (39,3 horas). Em consequência, o rendimento médio por hora dos autônomos de app foi de R$ 16,20, valor 12% menor do que os R$ 18,40 pagos aos demais setores.
O estudo demonstrou também os elevados índices de desproteção social no setor. A taxa de informalidade entre os operadores de aplicativos chegou a expressivos 72,1%, diante de 42,7% registrados no restante do mercado. Paralelamente, apenas 34% dos plataformizados possuíam cobertura da Previdência Social, contra 63% de cobertura observada entre os trabalhadores não vinculados a aplicativos.
Apesar de 86,8% dos ocupados se declararem trabalhadores por conta própria, o analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, frisou a subordinação técnica e operacional existente: “Apesar de essa pessoa não ter um vínculo formal com a plataforma, ele, na verdade, tem uma dependência em vários aspectos em relação à empresa que controla a plataforma digital”. Os dados chegam enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) debate o reconhecimento de vínculo celetista na uberização, pauta com parecer contrário emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Fonte: Agência Brasil
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