Projeto na Terra Indígena Panará une conhecimento tradicional e tecnologia científica - © André Villas Bôas/ISA

Porto Velho, RO — Uma iniciativa pioneira que integra saberes ancestrais à ciência acadêmica desenvolveu o inventário biológico da Terra Indígena (TI) Panará, situada na divisa entre o Pará e o Mato Grosso. Ao todo, quase 15 mil indivíduos da fauna e flora foram catalogados em uma extensão de 500 mil hectares.

A ação é coordenada pela Conservação Internacional (CI-Brasil) em conjunto com a Rede Xingu+, a Associação Indígena Iakiô e universidades públicas. O projeto integra uma estratégia ampla para proteger a biodiversidade na bacia do Rio Rriri, afluente do Rio Xingu, frente às ameaças do garimpo ilegal na região.

Os pesquisadores indígenas foram treinados no uso de GPS, aplicativos de mapeamento e instalação de armadilhas fotográficas com sensores de calor. Dentre as 602 espécies identificadas, 27 estão sob risco crítico de extinção, além de uma árvore chamada tradicionalmente de "Já", que passa por análises para identificação científica inédita.

Os dados levantados serão incluídos no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SIBBr). O protocolo garante a autoria do conhecimento aos indígenas, exigindo que publicações acadêmicas e consultas científicas passem pela prévia aprovação e entendimento da comunidade Panará.

Fonte: Agência Brasil