Nova nomenclatura busca ampliar a compreensão da doença e reduzir erros de diagnóstico.

Porto Velho, RO — As diretrizes internacionais para a síndrome do ovário policístico (SOP) passaram a adotar uma nova nomenclatura. A condição passa a ser denominada Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (Somp), mudança que pretende representar de forma mais precisa a complexidade da doença e evitar interpretações equivocadas sobre o diagnóstico.

A transição teve início em maio de 2026 e deverá ser concluída na atualização internacional prevista para 2028. Especialistas destacam que a nova denominação reforça que a condição não se limita à presença de cistos nos ovários, envolvendo alterações hormonais, metabólicas, reprodutivas e psicológicas.

Segundo a endocrinologista Renata Bussuan, coordenadora de pós-graduação da Afya Educação Médica, a nomenclatura anterior frequentemente gerava confusão entre pacientes e profissionais, levando muitas mulheres a associarem o diagnóstico apenas ao resultado do ultrassom.

A especialista explica que uma mulher pode apresentar a síndrome mesmo sem alterações no exame de imagem, enquanto outras podem ter ovários com aspecto policístico sem preencher os critérios clínicos para confirmação da doença.

Com a nova definição, aspectos como irregularidade menstrual, ausência de ovulação, acne persistente, aumento de pelos, queda de cabelo, alterações metabólicas, histórico familiar e maior risco para diabetes tipo 2 passam a receber maior atenção durante a avaliação clínica.

A síndrome pode provocar impactos em diferentes áreas da saúde feminina, incluindo fertilidade, peso corporal, metabolismo da glicose, colesterol, pressão arterial, qualidade do sono, saúde emocional e risco aumentado para doenças metabólicas.

Especialistas alertam que os primeiros sinais costumam surgir ainda na adolescência. Entre os sintomas mais comuns estão ciclos menstruais irregulares, ausência de menstruação, acne intensa, ganho de peso, escurecimento da pele e crescimento excessivo de pelos.

O tratamento é multidisciplinar e pode envolver acompanhamento com ginecologista, endocrinologista, nutricionista, psicólogo, dermatologista e profissional de educação física, conforme as necessidades de cada paciente. O objetivo é controlar os sintomas, reduzir riscos metabólicos e melhorar a qualidade de vida ao longo do acompanhamento.

Fonte: News Rondônia