Porto Velho, RO — Rondônia passa a ocupar posição de destaque em um dos mais relevantes projetos internacionais voltados à mineração artesanal e de pequena escala. Liderada no estado pelo Sistema OCB/RO, a iniciativa CRAFTing do Estanho reúne pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Alianza Por La Minería Responsable (ARM), especialistas brasileiros e internacionais e a Cooperativa Estanífera de Mineradores da Amazônia Legal Ltda (CEMAL) para desenvolver um modelo inovador de mineração responsável, unindo desenvolvimento econômico, preservação ambiental, transparência e valorização das pessoas.
Além de apoiar o projeto, o Sistema OCB/RO atua como articulador da iniciativa em Rondônia, promovendo a integração entre pesquisadores, cooperativa, cooperados e instituições parceiras. A atuação reforça o compromisso da entidade com o fortalecimento do cooperativismo mineral e com a busca por soluções que ampliem a competitividade do setor sem abrir mão da sustentabilidade.
A escolha de Rondônia como área piloto do projeto ocorre devido à relevância do estado na produção nacional de estanho. Atualmente, Rondônia responde por mais da metade da produção brasileira do minério e concentra uma das principais regiões de mineração artesanal do país. Nesse contexto, a CEMAL foi selecionada para representar a realidade da pequena mineração organizada em cooperativa, servindo como referência para um modelo que poderá ser replicado em outras regiões produtoras do Brasil e até mesmo em outros países.
Durante a execução do projeto, pesquisadores acompanharão todas as etapas da cadeia produtiva da cassiterita, desde a extração até a comercialização do minério. O objetivo é identificar oportunidades de melhoria, desenvolver soluções inovadoras e fortalecer práticas que conciliem produtividade, responsabilidade socioambiental e geração de renda para os cooperados.
Um dos principais diferenciais da iniciativa é a adaptação do CRAFT Code, protocolo internacional que estabelece critérios para a mineração artesanal responsável. A metodologia contempla aspectos relacionados à governança, segurança do trabalho, proteção ambiental, respeito aos direitos humanos, formalização da atividade e melhoria contínua dos processos produtivos. Pela primeira vez, esses critérios serão adaptados especificamente à cadeia produtiva do estanho, colocando Rondônia em posição de destaque no desenvolvimento de boas práticas para o setor.
O projeto também prevê a realização de estudos ambientais, monitoramento das áreas de mineração, coleta e análise de amostras, desenvolvimento de tecnologias para recuperação de áreas degradadas e capacitação técnica dos cooperados. A proposta é garantir que o conhecimento produzido permaneça na região, fortalecendo o cooperativismo mineral mesmo após o encerramento das pesquisas.
Outro eixo estratégico da iniciativa é a rastreabilidade mineral. Os pesquisadores trabalham no desenvolvimento de mecanismos capazes de identificar cientificamente a origem da cassiterita produzida em Rondônia, conferindo maior transparência à cadeia produtiva e agregando valor ao minério em mercados que exigem cada vez mais comprovação da procedência responsável das matérias-primas utilizadas pela indústria mundial.
A participação da CEMAL demonstra, na prática, o potencial do cooperativismo como ferramenta de desenvolvimento econômico e social. Organizados em cooperativa, os mineradores passam a ter acesso a conhecimento técnico, metodologias internacionais e tecnologias que contribuem para uma atividade mais segura, eficiente e alinhada às exigências do mercado.
Mais do que produzir conhecimento científico, o CRAFTing do Estanho pretende deixar um legado para a mineração brasileira. As experiências desenvolvidas em Ariquemes poderão subsidiar políticas públicas, orientar novas práticas para o setor e consolidar um modelo de mineração artesanal baseado na responsabilidade, na transparência e na cooperação.
Ao liderar a articulação do projeto em Rondônia, o Sistema OCB/RO reafirma seu papel no fortalecimento do cooperativismo e na promoção do desenvolvimento sustentável. A expectativa é que os resultados contribuam para consolidar uma mineração capaz de gerar renda, proteger o meio ambiente e fortalecer as comunidades que dependem da atividade, posicionando Rondônia como referência internacional em mineração responsável.
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