Queda de R$ 0,81 por litro entrou em vigor neste dia 1º e reflete a redução dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo - © Fernando Frazão/Agência Brasil

Porto Velho, RO — A Petrobras anunciou nesta quarta-feira (1º) uma redução de 14,5% no preço de venda do querosene de aviação (QAV). O novo reajuste, que entrou em vigor neste mês, representa uma queda de R$ 0,81 por litro no combustível comercializado às distribuidoras e marca o segundo recuo consecutivo nos preços.

Com a atualização, o litro do querosene de aviação vendido nas refinarias da estatal passa a variar entre R$ 4,67 e R$ 4,93, conforme a unidade fornecedora.

Segundo a Petrobras, a redução foi possível em razão da diminuição dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre o mercado internacional de petróleo e seus derivados. A estatal afirmou que houve uma "atenuação" dos efeitos provocados pela guerra, refletindo diretamente na formação dos preços.

Apesar da queda registrada em julho, o querosene de aviação ainda acumula alta de 40,5% em 2026 na comparação com o preço praticado no fim de 2025, o que representa um acréscimo de R$ 1,39 por litro.

O aumento dos preços ao longo do ano foi impulsionado pelas consequências do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que provocou instabilidade na cadeia logística da indústria petrolífera. Entre os principais fatores esteve o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde, antes do conflito, passava cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Mesmo sendo produtor de petróleo, o Brasil acompanha a variação do mercado internacional, uma vez que o petróleo e seus derivados são commodities, cujos preços são definidos com base na oferta e demanda global.

Nos últimos meses, a Petrobras promoveu sucessivos reajustes no querosene de aviação. Em abril, o combustível teve aumento de 55%, seguido por uma alta de 18% em maio. Para reduzir os impactos sobre as distribuidoras, a empresa autorizou o parcelamento desse reajuste. Em junho, houve redução de 14,2%, seguida pelo novo corte de 14,5% anunciado para julho.

A redução dos impactos da guerra também levou o Governo Federal a iniciar o processo de retirada gradual dos subsídios concedidos às empresas produtoras e importadoras de combustíveis, medida adotada anteriormente para evitar aumentos bruscos ao consumidor final.

A Petrobras responde atualmente por cerca de 85% da produção nacional de querosene de aviação. O combustível é vendido às distribuidoras, que ficam responsáveis pelo transporte e comercialização para companhias aéreas e demais consumidores nos aeroportos. Apesar da forte participação da estatal, o mercado permanece aberto à livre concorrência, permitindo a atuação de outras empresas na produção e importação do produto.

Fonte: Agência Brasil