Pré-candidato ao Governo questiona realização da concessão no "apagar das luzes" do mandato e compara o caso com os pedágios da BR-364.

Porto Velho, RO — O ex-prefeito da capital, Hildon Chaves, subiu o tom contra a condução do processo de concessão da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd). Ele classificou como “estranha” a decisão de acelerar o leilão bilionário nos últimos meses da atual gestão estadual.

O certame prevê a concessão dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário em 40 municípios rondonienses. O projeto estabelece um contrato de 35 anos, com valores estimados em R$ 8,47 bilhões, e sessão pública agendada na Bolsa de Valores (B3), em São Paulo.

“O meu questionamento é que essa Parceria Público-Privada ocorra justamente no apagar das luzes desse governo, depois de atravessar praticamente todos os oito anos de mandato sem tocar no assunto”, disparou o pré-candidato ao Governo do Estado durante entrevista.

Hildon defendeu publicamente que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) exerça uma fiscalização rigorosa sobre todas as etapas técnicas. Para ele, os órgãos de controle precisam atestar se o modelo atende ao interesse público antes que o martelo seja batido.

Durante a sua fala, o ex-prefeito comparou o racha da Caerd com a privatização da BR-364. Na sua avaliação, a falta de debate amplo na rodovia federal gerou o cenário atual, alvo de duras críticas da sociedade devido ao alto custo das tarifas de pedágio impostas à população.

Como exemplo de serviços concedidos problemáticos, ele também citou o setor de distribuição de energia elétrica em Rondônia. Segundo Hildon, os usuários sofrem frequentemente com tarifas elevadas e baixa qualidade, o que prova a necessidade de um planejamento mais transparente.

O pré-candidato aproveitou para cobrar coerência nas prioridades do governo. Ele argumentou que o mesmo senso de urgência aplicado ao leilão deveria ser empenhado em investimentos estruturais na saúde pública, aliviando o sofrimento diário dos pacientes na rede estadual.

Pelo cronograma oficial estabelecido, o leilão está marcado para o dia 29 de setembro, sendo que as empresas concorrentes deverão entregar suas propostas comerciais uma semana antes do evento na B3. Até a data limite, o projeto deve seguir sob forte enfrentamento político.