Porto Velho, RO — O Governo de Rondônia intensificou as ações para ampliar o acesso aos soros antivenenos em áreas indígenas, com o objetivo de aproximar o tratamento das populações que vivem em regiões de difícil acesso da Amazônia Legal. A iniciativa reúne uma força-tarefa em Porto Velho, envolvendo reuniões técnicas e capacitação de profissionais de saúde.
A ação é voltada aos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei) e busca estruturar uma rede de atendimento capaz de disponibilizar os imunobiológicos mais próximos das comunidades, reduzindo o tempo de deslocamento e aumentando as chances de atendimento rápido em casos de acidentes com animais peçonhentos.
O governador Marcos Rocha destacou que a descentralização representa um importante avanço para a saúde pública estadual, especialmente em regiões onde o acesso aos serviços de saúde é mais difícil.
Segundo o governador, levar o tratamento para dentro das áreas indígenas reduz desafios logísticos e contribui para salvar vidas em situações de emergência causadas por serpentes, escorpiões, aranhas e outros animais peçonhentos.
Dados do Núcleo de Riscos Biológicos da Agevisa/RO apontam que, entre 2021 e 2025, Rondônia registrou 7.733 acidentes com animais peçonhentos. As ocorrências envolvendo serpentes lideram o levantamento, com 2.829 casos, seguidas por acidentes com escorpiões (1.739) e aranhas (1.187).
Porto Velho concentrou o maior número de notificações no período, com 1.226 atendimentos, reforçando a necessidade de ampliar a rede de atendimento e fortalecer a vigilância epidemiológica.
A programação da força-tarefa inclui capacitação destinada a médicos e enfermeiros da rede pública estadual, com treinamento sobre armazenamento correto dos soros, funcionamento da rede de frio, identificação dos acidentes, diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.
As atividades contam com a participação de especialistas do Ministério da Saúde, do Instituto Butantan e de profissionais especializados no atendimento a vítimas de acidentes com animais peçonhentos.
A coordenadora estadual do Programa de Acidente por Animais Peçonhentos da Agevisa/RO, Francimar de Oliveira Moisés, ressaltou que a ampliação do acesso aos soros deve ser acompanhada da qualificação técnica das equipes de saúde.
Segundo ela, além da disponibilidade do medicamento, o diagnóstico correto e o manejo adequado dos pacientes são fundamentais para garantir um atendimento seguro e eficaz.
O diretor-geral da Agevisa/RO, Gilvander Gregório de Lima, afirmou que a integração entre as instituições fortalece a logística de distribuição dos imunobiológicos e melhora a capacidade de resposta nas regiões mais remotas da Amazônia.
Entre os polos avaliados para a descentralização dos soros estão Guajará-Mirim, Ji-Paraná e Alta Floresta d'Oeste. A expectativa é criar uma rede mais eficiente, garantindo atendimento especializado cada vez mais próximo das comunidades indígenas.
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