Responsáveis por alunos relatam falta de variedade na alimentação escolar e pedem fiscalização dos órgãos competentes

Porto Velho, RO — Pais e alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio (EEEFM) Hélio Neves Botelho, localizada no bairro Caladinho, na zona Sul da capital, denunciam supostas irregularidades na alimentação escolar oferecida pela unidade de ensino.

Segundo relatos encaminhados à reportagem, o cardápio elaborado pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc) não estaria sendo cumprido integralmente, resultando em refeições com pouca variedade e abaixo das expectativas dos estudantes e responsáveis.

A escola atende aproximadamente 700 alunos, distribuídos entre turmas do 6º ao 9º ano do ensino fundamental. De acordo com os denunciantes, que tiveram suas identidades preservadas por receio de retaliações, a merenda oferecida frequentemente consiste em mingau de arroz, bebidas saborizadas e, em alguns dias, apenas frutas.


Os responsáveis afirmam que a situação gera preocupação porque muitos estudantes dependem da alimentação escolar como complemento importante da dieta diária.

“Quando não é mingau, é apenas uma bebida apresentada como suco. As crianças reclamam que a alimentação não é suficiente e, segundo relatos, seriam até desencorajadas a emitir opinião sobre as refeições”, relatou um dos responsáveis.

Segundo os relatos, as reclamações vêm sendo registradas há anos. Os pais afirmam que já ocorreram visitas de fiscalização na unidade, mas que as orientações repassadas não teriam resultado em mudanças permanentes na oferta da merenda.

Os denunciantes pedem que a Seduc realize acompanhamento contínuo da situação e solicitam que órgãos de fiscalização acompanhem a apuração das supostas irregularidades.

Há ainda relatos de que estudantes seriam desencorajados a registrar por meio de fotos ou vídeos os alimentos servidos diariamente. A informação, caso seja confirmada, deverá ser analisada pelos órgãos responsáveis durante eventual investigação.

Outra queixa apresentada é o suposto descumprimento do planejamento nutricional previsto para a rede estadual de ensino. Os pais defendem a verificação do cumprimento do cardápio oficial, da qualidade dos alimentos oferecidos e da aplicação dos recursos destinados à alimentação escolar.

As denúncias contrastam com as diretrizes do Programa Estadual de Alimentação Escolar (PEALE-RO), que prevê a utilização dos recursos repassados aos Conselhos Escolares exclusivamente na aquisição de gêneros alimentícios definidos em cardápios elaborados por nutricionistas da rede estadual.

Além do programa estadual, a alimentação escolar também é regulamentada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que estabelece a oferta de refeições nutricionalmente adequadas aos estudantes da rede pública.

Diante das denúncias, os responsáveis defendem que seja realizada uma apuração detalhada para verificar se os recursos públicos e as orientações técnicas da Seduc estão sendo efetivamente cumpridos na unidade escolar.

A reportagem procurou a direção da Escola Hélio Neves Botelho e a Secretaria de Estado da Educação para comentar o caso. Por meio de sua assessoria, a Seduc informou que está levantando informações sobre a situação. Até o fechamento desta matéria, a direção da escola não havia se manifestado. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

A alimentação escolar representa uma das principais refeições do dia para muitos estudantes. Por isso, pais e responsáveis aguardam o resultado das apurações e eventuais providências que possam esclarecer os fatos relatados e garantir o cumprimento das diretrizes da alimentação escolar na rede estadual de ensino.