Porto Velho, RO — O governo federal lançou uma nova política nacional voltada à atenção integral à saúde da população em situação de rua, com o objetivo de ampliar o acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e fortalecer o atendimento humanizado em todo o país.
O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante evento realizado em São Paulo, na Casa de Oração do Povo da Rua, na região da Luz, com a presença de representantes do governo, profissionais da saúde e entidades sociais.
A iniciativa, conduzida pelo Ministério da Saúde, busca reduzir barreiras de acesso e combater práticas discriminatórias como aporofobia, racismo e LGBTQIA+fobia dentro da rede pública.
Ampliação de equipes e cobertura nacional
Segundo o Ministério da Saúde, o país passa a contar com 392 equipes especializadas no atendimento à população em situação de rua. Antes da ampliação, cerca de 300 equipes atuavam em diferentes municípios com apoio federal.
Além da expansão, a política prevê investimentos na qualificação profissional das equipes, com foco em atendimento contínuo e mais próximo das populações vulneráveis.
Unidades móveis vão reforçar atendimento nas ruas
Um dos principais eixos da nova política é a implantação de 400 Unidades Móveis de Rua (UMR), com investimento estimado em R$ 144 milhões. A previsão é que todas as unidades estejam em funcionamento até 2027.
As estruturas funcionarão como extensões das unidades básicas de saúde e deverão oferecer serviços como consultas médicas, exames ginecológicos, coleta de sangue, testes rápidos, curativos, ações educativas e encaminhamentos para tratamentos especializados.
A estratégia busca levar o atendimento diretamente aos locais onde a população vive, reduzindo barreiras de deslocamento e ampliando o alcance do sistema público de saúde.
Acesso garantido mesmo sem documentos
A nova diretriz estabelece que a ausência de documentos como o Cartão SUS ou endereço fixo não poderá ser utilizada como motivo para recusa de atendimento.
A medida reforça o princípio de universalidade do sistema e busca reduzir a exclusão histórica enfrentada por pessoas em situação de rua no acesso aos serviços de saúde.
Sete eixos estruturam a nova política
A política foi organizada em sete áreas principais: atenção integral à saúde, combate às discriminações, melhoria dos sistemas de dados e monitoramento, gestão participativa, formação profissional contínua, vigilância em saúde e articulação intersetorial com outras políticas públicas.
Entre os destaques estão ações de redução de danos, saúde bucal, saúde da mulher, acompanhamento pós-hospitalar, além de protocolos para situações de eventos climáticos extremos.
Relatos e impacto social
Durante o lançamento, profissionais e lideranças sociais destacaram a importância da iniciativa para reduzir desigualdades no acesso à saúde. A trabalhadora social Daiane Cristina Rodrigues relatou dificuldades enfrentadas por pessoas em situação de rua devido à falta de documentos e preconceito em atendimentos anteriores.
Já o padre Júlio Lancellotti ressaltou a importância das unidades móveis como ferramenta de aproximação entre o sistema de saúde e a população em vulnerabilidade, defendendo um modelo mais acessível e humanizado de atendimento.
A nova política marca uma expansão da atuação do Estado na área da saúde pública, com foco em inclusão, equidade e ampliação do alcance do sistema para populações historicamente marginalizadas.
Fonte: Agência Brasil
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