Proposta do governo federal prevê elevar percentual de etanol anidro na gasolina, com expectativa de reduzir custos, fortalecer a segurança energética e ampliar a produção nacional de biocombustíveis. - © Ricardo Stuckert/PR

Porto Velho, RO — O governo federal estuda aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina dos atuais 30% para até 32%. A proposta foi anunciada nesta terça-feira (9) pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e deverá ser submetida ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nos próximos 15 dias.

O anúncio ocorreu após reunião realizada no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e representantes do setor de biocombustíveis. Segundo Silveira, a medida atende a uma demanda da cadeia produtiva e faz parte das ações previstas na Lei do Combustível do Futuro, voltada para a descarbonização da matriz energética brasileira.

De acordo com o ministro, estudos técnicos indicam que o país possui condições de avançar para o modelo conhecido como E32, elevando a participação do etanol na composição da gasolina. Ele destacou que a mudança contribuirá para a redução da dependência de combustíveis importados e para o fortalecimento da segurança energética nacional.

“Sabemos que podemos ir até E35, mas os estudos técnicos necessários para se avançar na mistura nos permitem ir até o E32. Foi uma reivindicação trazida hoje pelo setor”, afirmou Alexandre Silveira.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a ampliação da mistura poderá evitar a importação de aproximadamente 450 milhões de litros de gasolina, além de reduzir impactos provocados pelas oscilações do mercado internacional de petróleo.

Representantes do setor sucroenergético também defenderam a proposta. O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi, afirmou que o aumento da participação do etanol pode gerar economia para os consumidores.

“Hoje, o litro do etanol custa em média R$ 2,40 menos do que o litro da gasolina. Um aumento da mistura de 2% pode refletir diretamente em benefícios ao consumidor”, explicou.

Gussi ressaltou ainda que, nos últimos meses, a diferença de preços entre os combustíveis gerou economia bilionária para os brasileiros e contribuiu para reduzir gastos do país com importações de gasolina.

Sobre possíveis dúvidas relacionadas ao desempenho dos motores, representantes do setor garantem que a nova composição já passou por testes técnicos durante os estudos realizados para a implementação da mistura de 30%, adotada anteriormente.

O presidente da Bioenergia Brasil, Mário Campos, destacou que a produção nacional de etanol segue em expansão e que a expectativa para este ano é de um acréscimo superior a 4 bilhões de litros na oferta do combustível.

Para o setor, a ampliação do uso do etanol representa uma oportunidade para fortalecer a economia nacional, gerar empregos, ampliar investimentos no campo e reduzir as emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para uma matriz de transporte mais sustentável.

Fonte: Agência Brasil