Novo insumo agrícola corrige a acidez do solo, incorpora nutrientes e apresenta maior resistência à umidade e ao vento - © Valter Campanato/Agência Brasil

Porto Velho, RO — A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desenvolveu um novo tipo de calcário agrícola capaz de reduzir perdas, aumentar a eficiência na aplicação e contribuir para ganhos de produtividade nas lavouras. O produto foi criado pelo Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília.

Utilizado tradicionalmente para corrigir a acidez do solo, o novo calcário passou por um processo de nanoestruturação, tecnologia que reduz partículas a dimensões extremamente pequenas e permite a formação de grânulos mais resistentes e uniformes.

Com isso, o produto deixa de ser aplicado na forma de pó e passa a apresentar formato granulado, o que reduz significativamente as perdas causadas pelo vento durante a distribuição nas áreas agrícolas.

Outra vantagem destacada pelos pesquisadores é a maior resistência à umidade durante o armazenamento e o transporte. No calcário convencional, a absorção de água pode provocar o empedramento do material, tornando-o inadequado para utilização nos equipamentos agrícolas e gerando prejuízos aos produtores.

Além de corrigir a acidez do solo, o novo insumo tornou-se um fertilizante multifuncional, podendo incorporar nutrientes essenciais ao desenvolvimento das plantas, como nitrogênio, fósforo, potássio, boro, cobre e zinco.

Segundo o pesquisador da Embrapa, Luciano Paulino da Silva, foram desenvolvidos diferentes protótipos para atender às necessidades nutricionais específicas de diversas culturas agrícolas.


“Nós fizemos diversos protótipos com concentrações diferentes para conseguir efetivamente atender a culturas diversas. Também foi possível combinar proporções diferentes desse calcário”, explicou o pesquisador.

O produto pode ser utilizado em pastagens, lavouras de soja, milho, algodão, café, cana-de-açúcar e outras culturas, permitindo ajustes na formulação de acordo com as exigências nutricionais de cada plantio.

Mais produtividade no campo

De acordo com os pesquisadores, a principal expectativa é aumentar a produtividade agrícola por meio da melhoria da saúde das plantas e da maior disponibilidade de nutrientes no solo.

“A lógica principal quando se faz uma correção de acidez e se adiciona micronutrientes ou macronutrientes em um produto é ganhar produtividade, aumentando a saudabilidade da planta em si e, consequentemente, agregando benefícios a essa cultura”, destacou Luciano Paulino da Silva.

Os estudos também indicam que o calcário nanoestruturado poderá contribuir para a redução do uso de defensivos agrícolas. Embora ainda sejam necessários novos testes para comprovar esse efeito em diferentes cenários, pesquisadores acreditam que plantas mais nutridas tendem a apresentar maior resistência a fatores que comprometem seu desenvolvimento.

O pesquisador Andre Felipe Camara Amaral, do LNANO, compara o efeito ao fortalecimento do organismo humano por meio de uma alimentação adequada, que contribui para uma resposta mais eficiente diante de ameaças externas.

Resultados positivos e produção em escala industrial

O novo calcário já foi produzido em diferentes escalas, desde testes laboratoriais de 10 gramas até lotes industriais de várias toneladas. Sua eficiência agronômica foi avaliada em cultivos de soja e trigo.

Segundo nota técnica da Embrapa, os resultados demonstraram que os protótipos mantêm adequado poder de neutralização da acidez do solo e apresentam potencial para elevar a produtividade, além de reduzir operações agrícolas no campo.

Os testes em ambiente produtivo estão sendo realizados pela empresa brasileira Perical, especializada na mineração de calcário agrícola e com unidades nos estados de Goiás e Tocantins.

Há mais de três anos, a companhia mantém um acordo de cooperação técnica com a Embrapa para apoiar o desenvolvimento da tecnologia, incluindo a contratação de pesquisadores, aquisição de equipamentos e financiamento de materiais necessários para a pesquisa.

Vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Embrapa atua desde 1973 no desenvolvimento de tecnologias e inovações voltadas ao fortalecimento da agricultura e da pecuária brasileiras.

Fonte: Agência Brasil