Pesquisa sobre tele-reabilitação em pacientes críticos foi desenvolvida em Rondônia e envolveu 20 hospitais públicos do Brasil - Foto: Pablo Belo e Daiane Mendonça

Porto Velho, RO — O Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron), em parceria com o Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia (Cepem), alcançou um importante reconhecimento internacional com a publicação de um ensaio clínico no renomado Journal of the American Medical Association (JAMA), uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo na área da saúde.

A publicação ocorreu no dia 10 de junho de 2026 e apresentou os resultados de um estudo sobre tele-reabilitação em pacientes críticos, avaliando os impactos de uma intervenção baseada em telessaúde na qualidade de vida de pacientes adultos após a alta hospitalar.

O projeto, denominado Tele-Rehab MV Trial, foi realizado em 20 hospitais públicos brasileiros e reuniu profissionais de diversas especialidades, incluindo Medicina Intensiva, Infectologia, Fisioterapia, Enfermagem, Fonoaudiologia, Psicologia e Nutrição.

A pesquisa teve como público-alvo pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda submetidos à ventilação mecânica invasiva. Um dos diferenciais do estudo foi o acompanhamento completo da jornada dos pacientes, incluindo consultas virtuais realizadas nos dois primeiros meses após a saída do hospital.


Segundo a médica Larissa Macedo, coordenadora da Unidade de Terapia Intensiva do Cemetron, os resultados demonstraram ganhos significativos para os pacientes e para o sistema de saúde.

"O programa de telessaúde reduziu em mais de seis dias o tempo de uso dos respiradores. Isso significa liberar leitos de UTI mais rapidamente, diminuir filas de espera e reduzir custos hospitalares", explicou a coordenadora.

Além da redução do tempo de ventilação mecânica, a pesquisa apontou uma queda expressiva na taxa de mortalidade dos pacientes acompanhados. O índice passou de 78,3% para 71,8% ao longo de 90 dias após a internação.

Os dados também revelaram que os participantes ganharam, em média, cinco dias adicionais de vida fora do ambiente hospitalar, resultado considerado relevante para a recuperação e qualidade de vida dos pacientes.

O secretário de Estado da Saúde de Rondônia, Edilton Oliveira, destacou que o modelo testado se mostrou viável para aplicação no Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente em regiões com desafios de acesso aos serviços especializados.

De acordo com o gestor, a experiência demonstrou que a telessaúde pode ser uma ferramenta eficiente para reduzir desigualdades no atendimento, ampliar o acesso aos cuidados médicos e otimizar recursos mesmo em cenários de restrição orçamentária.

A publicação do estudo no JAMA reforça o protagonismo de Rondônia na produção científica nacional e evidencia a capacidade das instituições de saúde do estado em desenvolver pesquisas com impacto internacional e potencial para transformar a assistência aos pacientes críticos.