Porto Velho, RO — Os alagamentos e as inundações são atualmente os problemas ambientais que mais preocupam os moradores das capitais brasileiras. É o que mostra a pesquisa “Viver nas Cidades: Meio Ambiente e Mudanças Climáticas”, divulgada nesta terça-feira (2) pelo Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com o Ipsos-Ipec.
Segundo o levantamento, a preocupação com enchentes lidera as respostas em diversas capitais do país, incluindo Porto Alegre (64%), Goiânia (50%), Belo Horizonte (49%), Recife (41%) e Rio de Janeiro (40%). Em São Paulo, entretanto, a principal preocupação ambiental apontada pelos entrevistados foi a poluição do ar, citada por 51% da população consultada.
O estudo também identificou diferenças na percepção dos problemas ambientais conforme o perfil socioeconômico dos entrevistados. As enchentes aparecem como principal preocupação entre pessoas com maior escolaridade e entre integrantes das classes A/B e C, enquanto recebem menor destaque entre os entrevistados das classes D/E.
A poluição atmosférica, por sua vez, é mais frequentemente mencionada por pessoas com renda superior a cinco salários mínimos e por moradores pertencentes às classes de maior poder aquisitivo.
Para o coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis, Jorge Abrahão, os resultados demonstram uma mudança importante nas demandas da sociedade, que tem dado cada vez mais atenção às questões ambientais e climáticas.
Segundo ele, apesar do aumento da preocupação da população, ainda existe lentidão na implementação de políticas públicas voltadas à prevenção de desastres ambientais e à adaptação das cidades às mudanças climáticas.
Calor excessivo é o impacto mais percebido
Quando questionados sobre os efeitos das mudanças climáticas em suas rotinas, os entrevistados apontaram o calor excessivo como o principal impacto, citado por 33% dos participantes da pesquisa.
Na sequência aparecem a poluição do ar (22%), o aumento dos preços dos alimentos (15%) e as enchentes (11%). Os dados indicam que os efeitos climáticos já são percebidos diretamente pela população em diferentes aspectos da vida cotidiana.
Durante o lançamento do estudo, a deputada federal Marina Silva destacou a necessidade de uma atuação integrada entre os governos federal, estaduais e municipais para enfrentar os desafios climáticos. Entre as propostas defendidas estão a criação de um conselho nacional de segurança climática e o fortalecimento de mecanismos de resposta a emergências ambientais.
A pesquisa foi realizada entre os dias 1º e 27 de dezembro de 2025, com a participação de 3,5 mil entrevistados em diversas capitais brasileiras. O levantamento contou com apoio do Sesc São Paulo e financiamento da União Europeia.
Fonte: Agência Brasil
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