Porto Velho, RO — O Supremo Tribunal Federal (STF) apura possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso é conduzido pelo ministro Flávio Dino, que determinou a intimação do deputado federal Mário Frias (PL-SP) para prestar esclarecimentos sobre os repasses.
Segundo os autos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 854, oficiais de Justiça tentam localizar o parlamentar há mais de um mês para cumprir a determinação expedida em março deste ano.
A denúncia foi apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que acusa Frias de destinar pelo menos R$ 2 milhões em emendas parlamentares para a Academia Nacional de Cultura (ANC).
A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também atua em outras organizações e empresas, incluindo a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme.
Deputados do PL também são citados
Além de Mário Frias, a denúncia menciona os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon, ambos filiados ao PL.
As suspeitas surgiram após reportagem publicada pelo site The Intercept Brasil, em dezembro de 2025, apontando que a ANC recebeu cerca de R$ 2,6 milhões provenientes de emendas parlamentares de integrantes do partido ligado ao ex-presidente Bolsonaro.
Tabata Amaral sustenta que diferentes empresas e entidades estariam atuando sob um mesmo grupo econômico, o que poderia dificultar a rastreabilidade dos recursos públicos.
Defesas negam irregularidades
Os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon apresentaram esclarecimentos ao STF dentro do prazo estabelecido.
Pollon confirmou ter destinado R$ 1 milhão para um projeto audiovisual chamado “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, mas afirmou que o projeto não foi executado por questões técnicas.
Segundo o parlamentar, os recursos acabaram redirecionados para a área da saúde, em favor do Hospital de Amor de Barretos, em São Paulo.
Bia Kicis também admitiu ter indicado R$ 150 mil para o mesmo projeto, mas negou qualquer relação entre as emendas e o filme Dark Horse.
A deputada classificou a denúncia como “maldosa” e afirmou que não houve utilização de dinheiro público para financiar o longa-metragem sobre Jair Bolsonaro.
Filme gera novas controvérsias
Outra reportagem publicada pelo The Intercept Brasil revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, para custear a produção do filme.
Segundo a publicação, o valor solicitado teria chegado a R$ 134 milhões, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões já teriam sido liberados.
Áudios divulgados mostram conversas sobre a necessidade de aporte financeiro para quitar parcelas da produção cinematográfica.
Mário Frias defende produção
Roteirista e produtor executivo do filme, Mário Frias afirmou que a obra é financiada exclusivamente com capital privado.
Segundo ele, nem o Banco Master nem Daniel Vorcaro repassaram recursos públicos para a produção.
Frias também classificou Dark Horse como uma “superprodução em padrão hollywoodiano” e afirmou que o projeto contará com lançamento nacional nos próximos meses.
Fonte: Agência Brasil
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