Novo modelo promete simplificação, mas especialistas apontam aumento da complexidade e insegurança jurídica

Porto Velho, RO — A reforma tributária no Brasil avança com a implementação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), mas especialistas alertam para incertezas jurídicas e econômicas durante o período de transição.

O novo sistema substitui tributos antigos por um modelo dual, com gestão compartilhada entre União, estados e municípios. Um dos principais mecanismos é o split payment, que realiza o recolhimento automático do imposto no momento da transação.

Na prática, a mudança altera a dinâmica financeira das empresas, já que o valor do imposto deixa de permanecer temporariamente com o vendedor e passa a ser recolhido de forma imediata, priorizando o caixa público.

Outro ponto de atenção é o aumento significativo da legislação. O novo modelo apresenta um volume maior de regras, superando dispositivos do Código Tributário Nacional e da própria Constituição de 1988 em relação à tributação do consumo.

Durante o período de transição, empresas terão que lidar com dois sistemas tributários simultaneamente, o que pode gerar mais burocracia, custos operacionais e necessidade de adaptação tecnológica.

A insegurança jurídica também é apontada como um dos principais desafios, diante de dúvidas sobre a aplicação prática das novas regras, o que pode impactar decisões de investimento no país.

O tema ainda envolve o cenário político, com possibilidade de revisões futuras no modelo, especialmente a partir de mudanças no Congresso nos próximos anos.

Especialistas defendem a necessidade de ajustes ao longo da implementação, para evitar entraves ao crescimento econômico e garantir maior eficiência no sistema.

A reforma segue em andamento, mas ainda cercada por questionamentos sobre sua efetividade e capacidade de simplificar o complexo sistema tributário brasileiro no longo prazo.