Porto Velho, RO — Uma intensa área de nebulosidade cobre grande parte da Amazônia e do Centro-Sul da América do Sul nesta quinta-feira (21), conforme imagens do satélite GOES-19, divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O avanço de uma massa de ar polar de origem continental vem provocando o fenômeno da friagem em Rondônia e influenciando diretamente áreas do Acre, sul do Amazonas e regiões da Bolívia.
Sobre Rondônia, as imagens evidenciam extensa cobertura de nuvens baixas e médias associadas à infiltração do ar frio vindo do sul do continente.
O sistema atmosférico avança pelo interior da América do Sul impulsionado por correntes continentais, favorecendo queda acentuada das temperaturas, aumento da umidade e céu predominantemente encoberto em diversas regiões do estado, incluindo Porto Velho.
No sul do continente, também é possível observar a atuação de um amplo ciclone extratropical no oceano Atlântico Sul, responsável por reforçar o transporte da massa de ar frio em direção ao interior do continente.
Ao mesmo tempo, bandas organizadas de nebulosidade avançam desde o norte da Argentina até áreas do Centro-Oeste brasileiro, contribuindo para manter o ar frio sobre a Amazônia Ocidental.
Friagem provoca temperaturas abaixo da média
A configuração atmosférica favorece chuvas isoladas em Rondônia, principalmente entre o norte do estado e o Vale do Guaporé.
Já no sul rondoniense, os ventos mais intensos aumentam a sensação térmica de frio durante as primeiras horas da manhã.
Meteorologistas apontam que a friagem deve persistir nos próximos dias, mantendo temperaturas abaixo da média climatológica para o período na região Norte.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) também divulgou um mapa de anomalia de temperatura válido entre os dias 20 e 26 de maio de 2026.
As áreas destacadas em tons de lilás e azul indicam temperaturas abaixo da média em boa parte do centro-sul da América do Sul, incluindo Rondônia, Acre e sul do Amazonas.
Segundo a análise meteorológica, a massa de ar frio se espalha desde o norte da Argentina, atravessa o Paraguai, alcança o Centro-Oeste brasileiro e chega até a Amazônia Ocidental.
Os desvios negativos de temperatura podem variar entre -4°C e -6°C abaixo da média em algumas regiões do continente.
O que é o fenômeno da friagem?
A friagem ocorre quando correntes de ar polar conseguem avançar pelo interior da América do Sul e romper a barreira do clima equatorial, alcançando estados amazônicos.
Em cidades como Porto Velho, os moradores já percebem mudanças bruscas no tempo, com manhãs mais frias, aumento dos ventos e maior nebulosidade.
Segundo especialistas, a massa de ar continental também favorece sensação térmica reduzida durante madrugadas e início das manhãs, principalmente em áreas abertas e próximas aos rios.
No sul do Amazonas e em regiões do Acre, o fenômeno também pode provocar chuvas isoladas e céu encoberto.
Apesar de temporária, a friagem costuma alterar a rotina da população amazônica, influenciando hábitos diários, atividades rurais e operações fluviais.
Massa de ar polar veio da Patagônia
O frio que atinge Rondônia tem origem em uma massa de ar polar formada nas altas latitudes do sul da América do Sul, especialmente entre a Argentina e áreas próximas da Patagônia.
O sistema se forma a partir do avanço de ar extremamente frio vindo de regiões subpolares próximas à Antártida.
Quando um ciclone extratropical atua no Atlântico Sul, ele ajuda a impulsionar a massa de ar gelado para o interior do continente.
O ar frio então percorre o território argentino, atravessa Paraguai e Bolívia até alcançar a Amazônia Ocidental brasileira.
Nesta friagem, o corredor continental permitiu que o ar polar chegasse com força até Rondônia, Acre e sul do Amazonas, derrubando temperaturas e aumentando a nebulosidade.
A análise meteorológica foi elaborada pelo jornalista Emerson Barbosa, com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Fonte: News Rondônia
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