Emissão recorde de títulos ligados à Selic e apropriação de juros impulsionaram aumento do estoque da dívida - © Marcello Casal JrAgência Brasil

Porto Velho, RO — A Dívida Pública Federal (DPF) registrou alta de 1,91% em abril e atingiu o montante de R$ 8,798 trilhões, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (27) pelo Tesouro Nacional.

O crescimento foi impulsionado principalmente pela emissão recorde de R$ 201,09 bilhões em títulos da Dívida Pública Mobiliária Federal Interna (DPMFi), com destaque para os papéis vinculados à taxa Selic.

De acordo com o Tesouro, a estratégia busca garantir a rolagem de vencimentos e atender à demanda do mercado financeiro em um cenário de juros elevados, com a taxa básica atualmente em 14,5% ao ano.

A elevação dos juros também aumentou o custo da apropriação mensal sobre o estoque total da dívida pública.

Mesmo com o avanço da DPF, o governo manteve o chamado “colchão da dívida” em nível considerado robusto, totalizando R$ 1,091 trilhão, valor suficiente para cobrir aproximadamente 8,9 meses de vencimentos.

O endividamento externo também apresentou crescimento, alcançando R$ 335,88 bilhões, influenciado pela emissão recorde de 5 bilhões de euros realizada no período.

Composição da dívida e confiança do mercado

A participação dos títulos vinculados à Selic passou a representar 48,59% do total da dívida, permanecendo dentro das metas previstas no Plano Anual de Financiamento (PAF).

Segundo o Tesouro Nacional, os títulos atrelados à Selic tendem a ganhar espaço em períodos de maior volatilidade econômica e instabilidade nos mercados internacionais, como ocorreu durante as tensões geopolíticas registradas no Oriente Médio em abril.

O prazo médio para refinanciamento da dívida subiu levemente para 4,12 anos, indicador considerado positivo por sinalizar manutenção da confiança dos investidores na capacidade de pagamento do país.

A base de detentores da dívida pública segue diversificada, liderada por instituições financeiras (31,46%), fundos de pensão (22,32%) e fundos de investimento (22,17%).

Já a participação de investidores estrangeiros recuou para 10,38%, refletindo maior cautela do mercado global diante do cenário internacional e dos juros elevados.

Fonte: Agência Brasil