
Porto Velho, RO - As eleições de 2026 em Rondônia já começaram faz tempo. Oficialmente faltam 133 dias para o povo ir às urnas, mas quem anda pelas ruas de Porto Velho, Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal, Vilhena ou qualquer uma das 52 cidades do estado percebe uma verdade simples: Rondônia já está em clima total de eleição.
E não é para menos.
Neste ano, os rondonienses vão escolher:
24 deputados estaduais;
8 deputados federais;
2 senadores;
1 governador;
1 vice-governador;
e o presidente da República e o vice.
É uma eleição gigantesca. Uma verdadeira guerra política espalhada pelos 52 municípios do estado. E isso transforma Rondônia num tabuleiro feroz, onde cada liderança regional, cada prefeito, cada vereador, cada empresário e cada comunicador passa a ter peso eleitoral.
O resultado é o que estamos vendo agora: políticos disputando espaço “no tapa”, ocupando rádio, sites, podcasts, Instagram, grupos de WhatsApp, TikTok e canais de opinião política.
A velha política do santinho na feira virou guerra de narrativa digital.
E o eleitor precisa abrir os olhos.
Porque a imprensa política em Rondônia mudou muito. Hoje existe um forte movimento de alinhamento político em parte dos meios de comunicação e também entre comentaristas digitais. Nos bastidores, fala-se abertamente em contratos milionários que variam entre R$ 150 à R$ 350 mil reais, de "publicidade", apoio indireto e acordos de influência para construção de imagem de candidatos e destruição de adversários.
Por isso, quando assistir, ouvir ou ler algum conteúdo político nos próximos meses, o cidadão precisa manter um pé atrás. Nem tudo que parece análise é análise. Muitas vezes é campanha antecipada disfarçada de comentário.
Nos últimos meses explodiu o número de comentaristas políticos nas redes sociais rondonienses. Alguns surgem praticamente da noite para o dia, já com estrutura profissional, cortes patrocinados e forte distribuição digital. A maioria claramente possui lado político.
Mas nesse ambiente existe um nome que vem chamando atenção justamente porque não "alisa ninguém": o jornalista Rubens Coutinho, do Tudo Rondônia.
Rubens virou alvo frequente de críticas exatamente porque não entra facilmente em torcida organizada de político. Critica direita, esquerda, governo, oposição e até o próprio meio político-jornalístico de Rondônia quando entende necessário.
Isso incomoda.
Porque em tempos de polarização, muita gente não quer análise — quer aplauso.
E talvez por isso o nome dele tenha crescido tanto nas redes sociais e entre os debates políticos locais. Há uma percepção em parte do público de que ele mantém independência crítica num ambiente onde muitos já escolheram seus lados antes mesmo da campanha começar.
Enquanto isso, os grupos políticos se movimentam intensamente. O governo Marcos Rocha entra na reta final de mandato, abrindo espaço para uma disputa pesada pela sucessão estadual. Nomes ligados à direita conservadora seguem muito fortes no estado, mas há também movimentações de centro e tentativas de reorganização de grupos tradicionais da política rondoniense.
E existe um detalhe importante: eleição em Rondônia não se ganha apenas em Porto Velho.
Ela passa pelas estradas, pelos distritos, pelas associações rurais, pelos pequenos municípios, pelas igrejas, pelos sindicatos, pelos grupos empresariais e, principalmente, pelos celulares.
Hoje, quem domina narrativa digital larga na frente.
Mas narrativa não é verdade automática.
2026 promete ser uma das eleições mais duras e barulhentas da história recente de Rondônia. E no meio desse vendaval político, o eleitor vai precisar separar três coisas:
informação;
propaganda;
e espetáculo político fantasiado de jornalismo.
Porque quando muito dinheiro entra no debate público, a verdade costuma ficar escondida atrás da fumaça.
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