Plano prevê ampliar produção nacional e reduzir dependência de importações do combustível - © Tânia Rêgo/Agência Brasil

Porto Velho, RO — A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou nesta quarta-feira (1º) que a estatal estuda a possibilidade de tornar o Brasil autossuficiente na produção de diesel em um prazo de até cinco anos.

Atualmente, o país ainda depende da importação de cerca de 30% do diesel consumido, combustível essencial para caminhões, ônibus e tratores, e considerado estratégico para a economia.

Segundo a presidente, o plano de negócios anterior previa atingir 80% da demanda nacional, com expansão de aproximadamente 300 mil barris por dia no período.

Estamos revendo esse plano e avaliando se podemos chegar a 100% em cinco anos”, afirmou Chambriard durante evento sobre energia realizado em São Paulo.

A dirigente destacou que a Petrobras trabalha para apresentar um novo plano capaz de garantir a autossuficiência completa do país no combustível.

Expansão nas refinarias

Entre as principais estratégias está a ampliação da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca (PE), que deve elevar sua capacidade de produção de 230 mil para 300 mil barris de diesel por dia.

Outro projeto envolve a Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, que, associada ao Complexo de Energias Boaventura, poderá aumentar sua capacidade de 240 mil para cerca de 350 mil barris diários.

Além disso, a Petrobras realiza adaptações em refinarias, especialmente em São Paulo, para reduzir a produção de óleo combustível e priorizar o diesel, considerado fundamental para o desenvolvimento nacional.

Diesel é o combustível mote do desenvolvimento. Ao aumentar sua produção, também ampliamos a oferta de gasolina”, destacou a presidente.

Alta de preços e impacto da guerra

O diesel enfrenta uma recente alta de preços, influenciada pelo conflito envolvendo o Irã. Entre o fim de fevereiro e março, o diesel S10 registrou aumento de cerca de 23%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

No dia 14 de março, a Petrobras já havia aplicado um reajuste de R$ 0,38 por litro.

Para conter a alta, o governo adotou medidas como a zeragem de tributos federais (PIS e Cofins) e a concessão de subsídios a produtores e importadores. Também estão em discussão incentivos adicionais, incluindo possível subsídio de R$ 1,20 por litro com participação dos estados.

O cenário global também impacta outros combustíveis. Nesta semana, o querosene de aviação teve reajuste de 55%, refletindo a pressão internacional sobre os derivados de petróleo.

O conflito no Oriente Médio afeta rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo, contribuindo para a escalada dos preços.

Atualmente, o barril do tipo Brent é negociado acima de US$ 101, enquanto antes da guerra girava em torno de US$ 70.

Fonte: Agência Brasil