Porto Velho, RO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (8), a proibição das apostas eletrônicas, conhecidas como “bets”, ao destacar os impactos sociais e econômicos causados pela prática no país.
Durante entrevista, o chefe do Executivo afirmou que o crescimento do setor tem provocado endividamento das famílias e contribuído para o avanço de problemas de saúde pública relacionados ao vício em jogos.
Segundo Lula, o Brasil vive atualmente uma “jogatina desenfreada”, impulsionada pela facilidade de acesso às plataformas digitais, que permitem apostas diretamente pelo celular, inclusive atingindo públicos mais jovens.
Dados do Banco Central indicam que, apenas no início de 2025, o setor movimentou cerca de R$ 30 bilhões por mês em apostas online no país.
Debate político e econômico
Apesar da defesa pela proibição, o tema enfrenta resistência no cenário político, principalmente devido à relevância econômica do setor. A Receita Federal registrou arrecadação de R$ 2,5 bilhões com a tributação das apostas no primeiro bimestre de 2026, um aumento significativo em relação ao ano anterior.
O presidente reconheceu a existência de um forte lobby no Congresso Nacional, o que pode dificultar o avanço de propostas mais restritivas.
A decisão sobre uma eventual proibição dependerá de articulação entre o governo federal e o Legislativo.
Impacto social
Lula também criticou a ideia de que o setor é essencial para o financiamento de clubes de futebol, ressaltando que o esporte se desenvolveu por décadas sem esse tipo de patrocínio.
Para o presidente, o principal problema está na promessa de ganho rápido, que pode levar famílias, especialmente as de menor renda, a situações de endividamento e vulnerabilidade financeira.
Enquanto o debate avança, o Ministério da Fazenda segue monitorando o setor por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas, responsável pela regulamentação das plataformas desde 2023.
Fonte: Agência Brasil
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