Porto Velho, RO — O governo federal anunciou, nesta segunda-feira (27), novas regras para o crédito consignado privado, com previsão de punições a bancos que cobrarem juros muito acima da média do mercado.
A decisão foi formalizada pelo Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado e tem como objetivo proteger trabalhadores do setor privado que utilizam a modalidade com desconto direto em folha.
Entre as medidas, instituições financeiras que descumprirem as diretrizes poderão sofrer notificações e até suspensão do programa Crédito do Trabalhador.
Limite para custo do crédito
Embora não tenha sido definido um teto fixo para os juros, o governo estabeleceu um parâmetro de referência baseado na média de mercado, atualmente em torno de 3,66% ao mês.
Outra mudança importante é a limitação do Custo Efetivo Total (CET), que não poderá ultrapassar em mais de 1 ponto percentual a taxa de juros contratada, incluindo encargos como tributos e seguros.
Endividamento em alta preocupa
A medida ocorre em meio ao avanço do endividamento das famílias brasileiras, que atingiu 49,9% da renda, segundo dados recentes do Banco Central — o maior nível desde o início da série histórica.
O governo pretende integrar a fiscalização dos juros a novas ações de renegociação de dívidas, com foco em reduzir a inadimplência e aliviar o orçamento das famílias.
Impactos no mercado financeiro
Analistas do setor avaliam a medida com cautela, apontando possíveis impactos na dinâmica do mercado bancário. Estimativas indicam que o custo efetivo máximo pode chegar a cerca de 5,98% ao mês dentro das novas regras.
O programa Crédito do Trabalhador, lançado em 2025, já movimentou cerca de R$ 121 bilhões e atende aproximadamente 9 milhões de trabalhadores em diversas instituições financeiras.
Fiscalização e transparência
O Ministério do Trabalho e Emprego reforçou que o consignado deve permanecer como uma linha de crédito mais acessível, devido ao menor risco de inadimplência.
A fiscalização será contínua, com acompanhamento das taxas praticadas no mercado, visando garantir que o benefício seja repassado ao consumidor em forma de juros mais baixos.
A iniciativa também busca estimular a concorrência entre bancos e promover maior transparência nas operações de crédito, contribuindo para a estabilidade econômica das famílias.
Fonte: Reuters
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