Governo estuda distribuir kits de acesso para famílias de baixa renda - © Divulgação/Ministério das Comunicações

Porto Velho, RO — Representantes do Ministério das Comunicações e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) participam até esta quarta-feira (22), em Las Vegas, nos Estados Unidos, da maior feira de tecnologia de mídia, audiovisual e radiodifusão do mundo.

O NAB Show, promovido pela associação de radiodifusores dos EUA, é a vitrine das principais inovações tecnológicas no setor.

Durante o evento, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, afirmou que o governo federal estuda o uso de recursos do Edital 5G para a distribuição de kits de recepção da TV digital 3.0 às famílias de baixa renda.

A verba diz respeito às contrapartidas de investimento estabelecidas para a expansão da conectividade em rede exclusiva do Estado.

Conforme Siqueira Filho, a iniciativa “não é apenas uma medida social de alta relevância, é também uma estratégia estruturante”, destacando que garantir o acesso significa acelerar a adoção, estimular o mercado e criar condições para o desenvolvimento sustentável do setor.

O ministro também ressaltou que o governo trabalha para que a televisão opere como um canal robusto de alertas à população, com capacidade de segmentação geográfica e potencial de ativação automática dos dispositivos, garantindo que a informação chegue no momento certo.

De acordo com o ministro, a TV 3.0 abre caminho para a integração com serviços digitais do governo, transformando a televisão em um ponto de acesso a políticas públicas, especialmente para a população que enfrenta barreiras no uso de outras tecnologias.

O modelo da TV 3.0 e sua implantação foram definidos em decreto presidencial de agosto de 2025, e a expectativa é que a nova tecnologia amplie o alcance do Estado, fortalecendo a inclusão social e transformando a forma como os brasileiros consomem conteúdo televisivo.

“Estamos falando de personalização, uma TV para cada brasileiro. Pela primeira vez, a televisão aberta poderá oferecer experiências adaptadas ao perfil do usuário, sem perder sua característica de meio de comunicação em massa”, afirmou o ministro.

A tecnologia permite a integração com sistemas de alerta de emergência, possibilitando o envio de avisos para áreas específicas com ativação automática dos aparelhos, mesmo sem conexão com banda larga.

Durante o NAB Show, Siqueira Filho destacou ainda que a TV 3.0 abrirá espaço para novos modelos de negócios, como a publicidade segmentada e o comércio eletrônico integrado à experiência televisiva.

A expectativa é que, durante a Copa do Mundo, com início em 11 de junho, sejam iniciados testes de transmissão da TV 3.0.

Segundo o ministro, o ritmo de implantação será definido pelas próprias emissoras, cabendo ao Estado garantir um ambiente regulatório estável e propício ao investimento.

Para o diretor-geral da EBC, David Butter, a experiência brasileira com a TV 3.0 vem sendo acompanhada com atenção internacional, especialmente pelas escolhas tecnológicas e pelo modelo regulatório adotado.

“O Brasil se posiciona mais uma vez para liderar”, afirmou. Segundo ele, a TV aberta brasileira já possui escala e relevância, e a nova tecnologia acrescenta personalização, regionalização e oferta de serviços públicos.

O diretor de Operações, Engenharia e Tecnologia da EBC, Bráulio Ribeiro, destacou o protagonismo da comunicação pública brasileira nas discussões e testes da TV 3.0, além da importância da divulgação do modelo como uma grande inovação tecnológica.

Fonte: Agência Brasil