Serviço via Meu SUS Digital oferece até 13 sessões gratuitas e confidenciais para maiores de 18 anos - © Rafael Nascimento/MS

Porto Velho, RO — O Ministério da Saúde iniciou, nesta terça-feira (3), um serviço de teleatendimento especializado para pessoas que sofrem de dependência em jogos de apostas eletrônicas, as chamadas “bets”. A iniciativa oferece suporte psicológico gratuito e confidencial para adultos em todo o país.

O anúncio foi feito pelo ministro Alexandre Padilha, que detalhou a parceria com o Hospital Sírio-Libanês para ampliar o acesso ao tratamento do transtorno do jogo compulsivo, condição que tem provocado impactos na saúde mental, prejuízos financeiros e desestruturação familiar.

Para acessar o serviço, o cidadão deve utilizar o aplicativo Meu SUS Digital, onde realiza um autoteste científico. Caso seja identificado risco moderado ou alto, o encaminhamento para sessões virtuais com psicólogos e terapeutas ocupacionais ocorre automaticamente. O ciclo de cuidado prevê até 13 consultas por paciente, podendo incluir familiares e rede de apoio.

O governo também disponibilizou o canal 136 da Ouvidoria do SUS para orientações e mantém ativa a plataforma de autoexclusão de CPFs em sites de apostas, que já conta com 300 mil usuários cadastrados.

De acordo com dados apresentados pelo ministério, as perdas com apostas no Brasil são estimadas em R$ 38,8 bilhões por ano, cenário considerado alarmante. Segundo Padilha, o atendimento remoto ajuda a romper a barreira do preconceito, já que muitos dependentes deixam de buscar ajuda presencial por vergonha.

Para garantir a qualidade do serviço, foram abertas 20 mil vagas de capacitação para profissionais de saúde em parceria com a Fiocruz. A meta do ministério é ampliar a capacidade atual de 600 atendimentos mensais para até 100 mil sessões virtuais por mês, integrando o atendimento digital à rede física dos CAPS e Unidades Básicas de Saúde.

Além do atendimento direto, a estratégia federal inclui o bloqueio de propagandas direcionadas a usuários cadastrados na autoexclusão. O objetivo, segundo o ministro, é identificar riscos graves e encaminhar rapidamente o paciente ao tratamento adequado, tratando a compulsão por apostas como prioridade de saúde pública e segurança financeira.

Fonte: Agência Brasil