Porto Velho, RO — A exoneração do secretário adjunto da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom), Francisco Holanda Iananes de Oliveira, conhecido como Chico Holanda, evidenciou uma crise interna e divergências estratégicas na comunicação do Governo de Rondônia.
A decisão foi oficializada em edição suplementar do Diário Oficial do Estado, publicada na quinta-feira (26), por meio de decreto assinado pelo governador Marcos Rocha, com efeitos a partir de 27 de março de 2026.
No mesmo ato, foi nomeado Wilton Junior Barros Medeiros para assumir o cargo, mantendo a função no mesmo nível hierárquico (CDS-17).
Racha interno e falta de autonomia
Nos bastidores, a saída de Chico Holanda já era considerada inevitável. Segundo apuração, o ex-adjunto demonstrava insatisfação com a falta de autonomia dentro da Secom, alegando que não participava de decisões estratégicas relevantes.
Entre os principais pontos de conflito estavam mudanças recentes na comunicação institucional, como a adoção de novos formatos publicitários, incluindo “Eucatur Door” e “Appdoor”, além do aumento de investimentos em produtoras.
Com perfil mais voltado à valorização da imprensa tradicional, Holanda era contrário às novas estratégias e defendia maior investimento em TVs, rádios e portais locais.
Críticas ao modelo adotado
A divergência também refletiu no relacionamento com veículos de comunicação. Profissionais do setor apontam um afastamento do governo em relação à mídia tradicional, gerando críticas e desconforto em todo o estado.
Outro ponto de tensão envolve os valores investidos em campanhas e formatos alternativos, que chegam a cerca de R$ 1,5 milhão, além do plano de mídia da campanha “Importa Dez”, com orçamento superior a R$ 3 milhões.
Também houve questionamentos sobre a ausência de planejamento de mídia nos meses de janeiro e fevereiro de 2026, com execução iniciada apenas em março, gerando repercussão negativa no setor.
Impacto político e comunicação em debate
A exoneração evidencia uma disputa de visões dentro da gestão estadual: de um lado, a aposta em novas estratégias e formatos digitais; de outro, a defesa da valorização dos veículos tradicionais.
Com a mudança no comando adjunto da Secom, cresce a expectativa sobre os próximos passos da comunicação institucional e uma possível reaproximação com a imprensa local.
Nos bastidores, a avaliação é de que, mais do que mudanças administrativas, o governo precisará reajustar sua estratégia de comunicação e fortalecer o diálogo com os canais que informam a população.
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