Documento aponta rede de fraudes em benefícios previdenciários e envolve políticos, empresários e ex-dirigentes do INSS - © Lula Marques/ Agência Brasil.

Porto Velho, RO — A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS iniciou, na manhã desta sexta-feira (27), a leitura do seu relatório final, que propõe o indiciamento de 216 pessoas envolvidas em um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões.

O documento, com mais de 4 mil páginas, foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL) após o Supremo Tribunal Federal (STF) negar a prorrogação dos trabalhos da comissão. O texto aponta como principal articulador do esquema Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.

A lista de indiciamentos inclui figuras de alto escalão da política e do setor financeiro. Entre os nomes citados estão os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira e Carlos Lupi, além de ex-presidentes do INSS, como Alessandro Antônio Stefanutto e Leonardo Rolim.

O relatório também menciona o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, apontando supostos repasses financeiros indiretos oriundos do núcleo do esquema.

Crimes listados e próximos passos

O texto detalha uma série de crimes, como organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, além de delitos contra a economia popular e gestão fraudulenta.

Executivos de instituições financeiras, como Banco Master, C6 Consignado e PicPay, também aparecem no relatório, suspeitos de participação em operações que lesaram milhares de beneficiários em todo o país. O esquema envolvia a inserção de dados falsos em sistemas para viabilizar descontos sem autorização.

Após a leitura e o prazo de vista aos integrantes da comissão, o relatório será submetido à votação, podendo haver a apresentação de um texto alternativo pela base governista.

Caso aprovado, o documento será encaminhado ao Ministério Público, responsável por decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça. Apenas após a aceitação pelo Judiciário, os investigados poderão se tornar réus em processos criminais.

Fonte: Agência Brasil