Porto Velho, RO — O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a pesca do pirarucu (Arapaima gigas) considerado invasor em Rondônia. A decisão foi oficializada na última terça-feira (17) e já está em vigor em todo o estado.
A medida é resultado de um estudo viabilizado por emenda parlamentar da deputada estadual Gislaine Lebrinha, que comprovou que a espécie, fora de sua área natural, causa impactos ambientais e econômicos.
Problema afetava pescadores
A iniciativa surgiu após colônias de pescadores relatarem dificuldades na atividade pesqueira, devido ao aumento do pirarucu em áreas onde ele não é nativo.
Segundo os relatos, a presença da espécie estava reduzindo a quantidade de peixes tradicionais, afetando diretamente a renda e a subsistência de famílias ribeirinhas.
Estudo científico comprovou invasão
Para viabilizar a medida, foi necessário um estudo técnico que comprovasse o caráter invasor do pirarucu. A pesquisa contou com a participação da Universidade Federal de Rondônia (Unir), com apoio da Fapero e da Sedam.
Com os resultados em mãos, a deputada apresentou os dados ao Ibama, em Brasília, o que levou à publicação da normativa autorizando o controle da espécie.
Pesca liberada sem limite
Com a nova regra, está autorizada a pesca do pirarucu invasor durante todo o ano, sem limite de quantidade ou tamanho.
Entre as principais determinações estão:
• Proibição de devolução do peixe ao rio
• Obrigatoriedade de abate após captura
• Venda restrita ao estado de origem
Em caso de descumprimento das regras, o pescado pode ser apreendido pelas autoridades.
Uso social do pescado
A normativa também permite a doação do peixe para programas sociais, com prioridade para:
• Merenda escolar
• Hospitais
• Creches
• Ações de combate à fome
Controle ambiental e educação
O Ibama também prevê que estados e municípios possam incentivar ações de controle da espécie, além da realização de campanhas de educação ambiental.
Em unidades de conservação, a pesca dependerá de autorização específica e deverá seguir regras próprias.
A medida representa um avanço no equilíbrio ambiental e na proteção da atividade pesqueira em Rondônia, aliando ciência, política pública e sustentabilidade.
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