Porto Velho, RO — O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, classificou como “banditismo” o aumento no preço do diesel praticado por postos de combustíveis no país. A declaração foi feita nesta sexta-feira (20), após evento realizado na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro.
Segundo o ministro, os reajustes não têm justificativa econômica e configuram prática abusiva contra o consumidor. “Isso é banditismo de postos de gasolina e distribuição, que estão cometendo crime contra a economia popular”, afirmou.
Aumento considerado injustificado
Boulos destacou que o governo federal adotou medidas para conter a alta do combustível, como a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o que deveria evitar repasses ao consumidor.
“As distribuidoras não estão pagando mais caro pelo diesel, mas estão transferindo um aumento especulativo para a população”, criticou.
Apesar disso, o cenário internacional pressiona os preços. O barril do petróleo tipo Brent, referência global, chegou a cerca de US$ 110, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Fiscalização e possibilidade de prisões
O ministro afirmou que órgãos de fiscalização, como a Polícia Federal e entidades de defesa do consumidor, estão realizando operações em todo o país para coibir abusos.
Segundo ele, mais de 400 postos foram fiscalizados nas últimas 48 horas, com aplicação de multas e até lacração de estabelecimentos.
“O próximo passo é a prisão de representantes envolvidos nessas práticas”, declarou.
Diálogo com caminhoneiros evitou paralisação
Boulos também confirmou uma reunião com lideranças de caminhoneiros marcada para a próxima quarta-feira (25), no Palácio do Planalto.
A categoria chegou a cogitar uma paralisação nacional, mas desistiu após negociações com o governo.
Entre as medidas anunciadas está a Medida Provisória nº 1.343/2026, que endurece punições para transportadoras que descumprirem o piso mínimo do frete.
“Não dá para grandes empresas ignorarem a lei. Em caso de reincidência, podem até ter o registro cassado”, afirmou.
Impacto da guerra no preço do combustível
O conflito no Oriente Médio continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre o preço do petróleo no mercado internacional, especialmente devido ao risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial.
No Brasil, a Petrobras anunciou recentemente um reajuste de R$ 0,38 no diesel, mas o governo afirma que medidas tributárias ajudaram a reduzir o impacto final ao consumidor.
Além disso, está em discussão com os estados a possibilidade de redução do ICMS sobre o diesel importado, como forma de conter novos aumentos.
Fonte: Agência Brasil
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