Porto Velho, RO — O Brasil registrou 46,018 milhões de estudantes matriculados na educação básica em 2025, segundo dados da primeira etapa do Censo Escolar divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep nesta quinta-feira (26). O número representa uma queda de 2,29% em relação a 2024, o equivalente a 1,082 milhão de matrículas a menos.
Apesar da redução, o governo federal descarta cenário de crise. De acordo com o MEC, o recuo está diretamente ligado à transição demográfica — com diminuição da população jovem — e à melhoria nos indicadores de fluxo escolar.
Transição demográfica impacta base educacional
Segundo o coordenador do Inep, Fábio Pereira Bravin, a população entre 0 e 3 anos caiu 8,4% nos últimos três anos, afetando a base da pirâmide educacional. Ainda assim, a taxa de atendimento nessa faixa etária cresceu e atingiu 39,8%.
O ministro da Educação, Camilo Santana, destacou que o país praticamente universalizou o acesso escolar entre 4 e 17 anos, com frequência de 97,2% nessa faixa etária.
Queda histórica na distorção idade-série
Um dos principais avanços apontados pelo Censo é a forte redução da distorção idade-série, indicador que mede o percentual de alunos em atraso escolar. Com menos repetência, os estudantes concluem as etapas na idade adequada, evitando sobrecarga no sistema.
No ensino médio, a distorção caiu 61% entre 2022 e 2025. No terceiro ano, o índice recuou de 27,2% para 13,99%, evidenciando maior eficiência e fluidez no percurso escolar.
Educação infantil e investimentos estruturais
A educação infantil atingiu em 2025 seu maior patamar histórico, com 41,8% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches. O percentual aproxima o país da meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação (PNE).
Para ampliar a oferta de vagas, o Novo PAC prevê investimento de R$ 7,37 bilhões na construção de mais de 1.600 novas unidades em todo o território nacional.
Conectividade avança, mas Norte ainda é desafio
Outro destaque do levantamento é a expansão da internet nas escolas. O percentual de unidades com acesso à rede subiu de 82,8% em 2021 para 94,5% em 2025.
O maior desafio está na região Norte, onde o governo destinou R$ 3 bilhões para elevar a conectividade pedagógica de 45% para 70%. A prioridade do MEC para os próximos anos é garantir que essa infraestrutura digital se traduza em qualidade de ensino e maior equidade, especialmente em áreas remotas.
Fonte: Agência Brasil
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