Porto Velho, RO — O gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira (29) nota oficial para esclarecer pontos da investigação e afirmar que a eventual remessa do processo à primeira instância só será decidida após a conclusão do inquérito pela Polícia Federal.
Segundo o comunicado, apenas com o encerramento das apurações será possível analisar o envio do caso às instâncias ordinárias, sem risco de nulidades por descumprimento do foro por prerrogativa de função ou violação da ampla defesa e do devido processo legal.
A competência do STF para conduzir as investigações é um dos pontos mais controversos do processo. O caso chegou à Corte após a Polícia Federal encontrar menção ao nome de um deputado federal em documentos apreendidos, que até o momento não resultaram em suspeita de ilícito.
O inquérito apura irregularidades e possíveis fraudes nas negociações de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), instituição financeira pública do Distrito Federal.
Sigilo e questionamentos
Outro ponto abordado na nota diz respeito ao sigilo máximo decretado no processo. A medida gerou críticas após a divulgação de que o ministro teria viajado em um jatinho particular no qual também estaria o advogado de um dos diretores investigados.
O gabinete esclareceu que o sigilo já havia sido determinado pelo juízo de primeiro grau e foi mantido pelo STF para evitar vazamentos que pudessem comprometer o andamento das investigações.
“Em todos os âmbitos, as investigações continuam a ser realizadas normalmente e de forma regular”, afirma o texto, ressaltando que os sigilos permanecem necessários devido às diligências ainda em curso.
Pressão sobre a relatoria
O ministro Dias Toffoli tem sido alvo de pressões crescentes para deixar a relatoria do caso, especialmente após decisões consideradas incomuns, como a determinação para que materiais apreendidos fossem enviados ao STF antes mesmo da perícia pela Polícia Federal.
Também vieram a público reportagens sobre um fundo ligado ao Master que teria adquirido participação de familiares do ministro, incluindo dois irmãos, em um resort no Paraná. Até o momento, Toffoli não se manifestou sobre o episódio.
De acordo com a nota, a decisão sobre a permanência do caso Master no Supremo depende, inicialmente, de ato do próprio relator, após a conclusão das investigações policiais.
Principais pontos da nota oficial
O gabinete informou que Toffoli foi escolhido relator por sorteio em 28 de novembro de 2025 e que, em dezembro, determinou a remessa do processo ao STF, mantendo as medidas cautelares e o sigilo já decretado.
O comunicado detalha ainda que foram determinadas diligências urgentes, oitivas de investigados, dirigentes do Banco Central e presidentes de bancos envolvidos, além da prorrogação do prazo do inquérito por mais 60 dias.
Segundo o gabinete, todos os pedidos de nulidade apresentados pelas defesas foram rejeitados, e somente após o encerramento das investigações será avaliada a eventual remessa do caso a outras instâncias da Justiça.
Fonte: Agência Brasil
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