Cobrança será feita exclusivamente pelo sistema eletrônico Free Flow, sem praças físicas.

Porto Velho (RO) — A partir do dia 12 de janeiro, entra em operação a cobrança de pedágio eletrônico (Free Flow) na BR-364, principal eixo rodoviário de Rondônia. A autorização foi concedida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres e publicada no Diário Oficial da União em 30 de dezembro. A concessão é operada pela Nova 364, responsável pelo trecho entre Porto Velho e Vilhena.

O modelo adotado elimina praças físicas e utiliza pórticos eletrônicos ao longo da rodovia. O veículo passa, a tarifa é registrada automaticamente — e o motorista tem até 30 dias para pagar. Em caso de não pagamento, a penalidade é pesada: multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.


Sete pontos, custo elevado e impacto direto no bolso

Serão sete pontos de cobrança no trecho concedido. Para carros, caminhonetes e furgões, os valores divulgados chamam atenção:

  • Candeias do Jamari: R$ 5,40

  • Cujubim: R$ 37,00

  • Ariquemes: R$ 19,30

  • Ouro Preto do Oeste: R$ 25,00

  • Presidente Médici: R$ 12,50

  • Pimenta Bueno (ponto 1): R$ 10,20

  • Pimenta Bueno (ponto 2): R$ 35,40

O reajuste aplicado foi de 9,55%, calculado com base no IPCA entre novembro de 2023 e novembro de 2025. Motocicletas, ambulâncias, veículos oficiais e do Corpo Diplomático ficam isentos — desde que previamente cadastrados.


Free Flow: modernização sem debate público?

A concessionária defende o Free Flow como solução moderna: menos filas, economia de tempo, menor consumo de combustível e redução de emissões. No papel, o discurso é bonito. Na prática, surgem questionamentos legítimos:

  • Como ficará a fiscalização em regiões com baixa conectividade?

  • O sistema será acessível a motoristas sem TAG ou smartphone?

  • Há campanhas educativas suficientes para evitar multas por desconhecimento?

Em Rondônia, onde muitos usuários dependem da BR-364 para trabalho, saúde e transporte de mercadorias, o risco de penalizações involuntárias é real — especialmente no interior, onde o acesso à informação nem sempre chega a tempo.


Conta que não fecha para quem vive da estrada

Caminhoneiros, produtores rurais e moradores de municípios cortados pela rodovia alertam para o efeito cascata: pedágio caro eleva o custo do frete, encarece alimentos e pressiona a economia local. A BR-364 é estratégica para o escoamento da produção agrícola de Rondônia e do sul do Mato Grosso, com ligação aos portos de Porto Velho e à hidrovia do Rio Madeira. Qualquer aumento pesa — e muito.


Investimentos anunciados x percepção do usuário

A Nova 364 afirma já ter investido mais de R$ 360 milhões em pavimentação, sinalização, conservação, bases operacionais, guinchos, ambulâncias e expansão do sinal 4G. Ainda assim, usuários cobram melhorias visíveis e contínuas, sobretudo em trechos críticos, antes de aceitar tarifas consideradas altas para a realidade regional.


Transparência e equilíbrio são essenciais

Modernizar é necessário. Mas implantar cobrança eletrônica sem amplo diálogo e com valores elevados acende o sinal amarelo. A população quer saber quanto paga, por que paga e o que recebe em troca. Sem isso, o Free Flow corre o risco de virar sinônimo de conta automática e dor de cabeça.