Unicef alerta para mortes diárias de crianças palestinas e restrições à ajuda humanitária na Faixa de Gaza - © Reuters/Dawoud Abu Alkas

Porto Velho, RO — Mais de 100 crianças palestinas já foram mortas na Faixa de Gaza desde a assinatura do chamado cessar-fogo entre Israel e o Hamas, em outubro do ano passado. O dado foi divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que aponta a continuidade de bombardeios e confrontos armados mesmo após o acordo anunciado.

Segundo o porta-voz do Unicef, James Elder, os registros indicam a morte de ao menos 60 meninos e 40 meninas, o que representa aproximadamente uma criança morta por dia durante o período de trégua. A organização ressalta que o número real pode ser ainda maior, já que muitos casos não possuem informações suficientes para serem oficialmente contabilizados.

Falando diretamente de Gaza, Elder destacou que centenas de crianças ficaram feridas, muitas com sequelas permanentes. Entre elas está Abid Al Rahman, de 9 anos, atingido por estilhaços de um míssil enquanto recolhia lenha em Khan Younis, no sul do território. O menino perdeu a visão de um dos olhos após o ataque.

O Unicef também denuncia que a população segue enfrentando restrições severas para acesso a suprimentos médicos, combustível, gás de cozinha e peças para manutenção de sistemas de água e esgoto. Ainda assim, a entidade reconhece avanços pontuais durante o cessar-fogo, como a ampliação de serviços de saúde, campanhas de imunização e a criação de mais de 70 centros de distribuição de alimentos, o que contribuiu para a redução da fome.

Paralelamente à crise humanitária, o parlamento de Israel aprovou, no fim de dezembro, uma lei que proíbe a atuação de 37 organizações humanitárias em Gaza, incluindo a Médicos Sem Fronteiras (MSF) e a Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA). O governo israelense alega falta de cooperação dessas entidades, acusação rejeitada pelas organizações.

As medidas incluem ainda o corte de água, energia e comunicações das instalações dessas organizações, o que levou o secretário-geral da ONU, António Guterres, a alertar sobre a possibilidade de acionar a Corte Internacional de Justiça. Para o Unicef e demais entidades, as ações violam o direito internacional humanitário e agravam o risco à vida da população civil, especialmente das crianças.

Fonte: Agência Brasil