Plano Anual de Financiamento aponta crescimento do endividamento federal e mudanças na composição dos títulos públicos - © Marcello Casal JrAgência Brasil

Porto Velho, RO — A Dívida Pública Federal (DPF) pode alcançar entre R$ 9,3 trilhões e R$ 10,3 trilhões ao final de 2026, segundo projeção divulgada nesta quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional, por meio do Plano Anual de Financiamento (PAF). O volume representa um novo patamar recorde, após a dívida ter encerrado 2025 acima de R$ 8,6 trilhões.

O plano estabelece as diretrizes para o financiamento da dívida ao longo do ano e prevê ajustes na sua composição. Assim como no exercício anterior, o governo abriu espaço para reduzir a participação de títulos prefixados e aumentar a fatia de papéis atrelados à taxa Selic, estratégia voltada a ampliar a atratividade dos títulos públicos em um cenário de juros elevados.

No ano passado, o PAF previa inicialmente que a dívida encerraria 2025 entre R$ 8,1 trilhões e R$ 8,5 trilhões. Posteriormente, em setembro, o intervalo foi revisado para até R$ 8,8 trilhões, patamar que acabou sendo superado.

Composição da dívida

De acordo com o Tesouro, a projeção para a composição da Dívida Pública Federal ao fim de 2026 é a seguinte: títulos vinculados à Selic entre 46% e 50%; títulos corrigidos pela inflação entre 23% e 27%; títulos prefixados entre 21% e 25%; e títulos atrelados ao câmbio entre 3% e 7%.

Os títulos pós-fixados, especialmente os vinculados à Selic, elevam o risco fiscal, já que altas nos juros básicos aumentam automaticamente o custo da dívida. Por outro lado, os títulos prefixados oferecem maior previsibilidade, pois as taxas são definidas no momento da emissão, embora costumem ter juros mais elevados em períodos de instabilidade econômica.

Prazo e segurança

O prazo médio da dívida, que encerrou 2025 em cerca de quatro anos, deverá ficar entre 3,8 e 4,2 anos em dezembro de 2026. Já a parcela da dívida com vencimento em até 12 meses poderá variar entre 18% e 22%.

Segundo o Tesouro Nacional, o governo dispõe de mecanismos de segurança para enfrentar eventuais crises de financiamento. As reservas internacionais são suficientes para cobrir os vencimentos da dívida externa em 2026, estimados em R$ 33,3 bilhões. Além disso, há um colchão de liquidez de R$ 1,187 trilhão, capaz de cobrir aproximadamente 7,3 meses dos vencimentos da dívida interna.

Por meio da emissão de títulos públicos, o Tesouro Nacional capta recursos no mercado para honrar compromissos do governo, comprometendo-se a devolver os valores aos investidores com correção baseada na Selic, na inflação, no câmbio ou em taxas prefixadas.

Fonte: Agência Brasil