Porto Velho, RO — A divulgação do resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), realizada na segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep, provocou forte reação do Conselho Federal de Medicina (CFM). Em entrevista ao TMC, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, conselheiro federal por Rondônia, afirmou estar “muito preocupado” com os números e alertou para os riscos à população.
“A população brasileira não merece médico mal formado”, declarou Hiran Gallo ao comentar o levantamento que enquadrou 107 cursos de Medicina entre os reprovados, por obterem conceitos 1 e 2. Segundo ele, o resultado representa uma “radiografia gravíssima” do ensino médico no país.
Entre os estados com instituições abaixo da faixa considerada satisfatória, Rondônia aparece com quatro cursos de Medicina reprovados, conforme lista divulgada pelo Inep. São eles: Centro Universitário Aparício Carvalho (FIMCA), em Porto Velho (conceito 2); Afya Centro Universitário de Porto Velho (conceito 2); Faculdade Metropolitana (UNNESA), em Porto Velho (conceito 1); e a Faculdade UNINASSAU Vilhena, no Cone Sul do estado (conceito 2).
Na entrevista, o presidente do CFM explicou que o critério do Enamed considera a proporção de estudantes concluintes que atingem desempenho mínimo. “A população brasileira vai ficar em risco quando essas pessoas receberem seu CRM e estão inaptos para atender”, afirmou.
Hiran Gallo voltou a defender a criação de um exame nacional obrigatório para egressos de Medicina, nos moldes do exame da OAB, como condição para o exercício profissional. “O médico, o egresso, tem que ser submetido a uma prova para saber se ele está qualificado para atender a nossa população brasileira. O CFM não poderá aceitar”, reforçou.
Ao analisar o perfil dos cursos com pior desempenho, o dirigente destacou a concentração de reprovações na rede privada. “Das 24 faculdades de medicina que obtiveram conceito 1, 17 são particulares. Entre as 83 com nota 2, 72 pertencem à rede privada”, disse, demonstrando preocupação com a expansão acelerada de vagas sem fiscalização adequada.
O presidente do CFM também citou tentativas judiciais de instituições privadas para impedir a divulgação do resultado, mas elogiou a manutenção da transparência. “Quero enaltecer o MEC, que não se curvou, e a Justiça que derrubou essa tentativa de não levar ao conhecimento da população brasileira esse mau desempenho”, afirmou.
Hiran Gallo atribuiu ainda ao MEC a responsabilidade histórica pela autorização e ampliação de cursos. “Quem autoriza as escolas médicas é o MEC pela lei. Estavam autorizando ou aumentando o número de vaga indiscriminadamente sem fazer essa avaliação. Essa omissão vem de governo a governo”, declarou, ponderando que o problema não se limita à atual gestão.
Apesar das críticas, ele reconheceu a importância do Enamed como instrumento de diagnóstico, mas cobrou medidas concretas após a divulgação do ranking. “Agora tem que vir um resultado. O que é que vai acontecer com essas escolas que tiveram rendimento pífio? Aí fica a pergunta”, concluiu.
Fonte: Rondônia Dinâmica
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