Porto Velho, RO — Mesmo após cinco anos de implantação e consolidado como uma das principais inovações do sistema financeiro brasileiro, o Pix ainda não alcança toda a população. Dados do Banco Central mostram que 23,6% dos brasileiros permanecem fora da ferramenta, sobretudo entre os mais pobres, idosos, moradores de áreas rurais e pessoas com menor escolaridade.
Ao ouvir a pergunta “aceita Pix?”, o jardineiro Mario Ramalho responde que não utiliza a ferramenta. Ele oferece aos clientes duas alternativas: pagamento em dinheiro ou depósito na conta de uma vizinha. Como o dinheiro em espécie é cada vez mais raro, a segunda opção se tornou a mais comum. “Pego o dinheiro com ela no dia seguinte. Meu celular é dos antigos, só serve para ligar”, relata.
Casos como o de Mario ilustram os desafios enfrentados por parte da população brasileira diante da digitalização dos meios de pagamento. O Pix foi lançado em 2020 com a proposta de oferecer transferências gratuitas, instantâneas e totalmente digitais, mas a falta de acesso a smartphones, internet de qualidade e familiaridade com tecnologia ainda limita o uso.
De acordo com pesquisa divulgada pelo próprio Banco Central em 2024, a adesão ao Pix já havia alcançado 76,4% da população. Apesar do avanço expressivo, o levantamento aponta que a exclusão digital continua sendo um dos principais entraves para a universalização do sistema.
Além das limitações tecnológicas, dificuldades no uso da ferramenta, insegurança digital e baixo nível de letramento financeiro também afastam milhões de brasileiros do Pix, especialmente entre idosos e trabalhadores informais.
Para a pesquisadora em Infraestruturas Públicas Digitais do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Viviane Fernandes, o Pix é uma política pública bem-sucedida, mas ainda precisa avançar. Segundo ela, é fundamental ampliar estratégias que incluam os cidadãos que seguem à margem dessa inovação.
“O Pix cumpriu um papel importante na modernização do sistema financeiro, mas agora o desafio é garantir que essa facilidade chegue a todos, sem deixar ninguém para trás”, avalia a pesquisadora.
Fonte: Carta Capital
0 Comentários