Deputado criticou extinção de fundos, apontou baixa produtividade e defendeu retomada de políticas públicas estruturantes durante audiência em Ariquemes - (Foto: Thyago Lorentz I Secom ALE/RO)

Porto Velho, RO — O deputado estadual Delegado Camargo (Republicanos) participou, na última terça-feira (15), de uma audiência pública em Ariquemes para debater a crise enfrentada pela cadeia produtiva do leite em Rondônia. O encontro reuniu autoridades, representantes de associações e produtores rurais preocupados com os baixos preços pagos pela produção e a falta de políticas públicas efetivas para o setor.

Durante sua fala, Camargo destacou que sua atuação é baseada em dados técnicos e análise orçamentária, afastando qualquer interesse pessoal. “Não sou produtor de leite, não sou pecuarista. Sou um estudioso que se debruçou sobre números e políticas públicas para apresentar soluções concretas”, afirmou o parlamentar.

Extinção do ProLeite e do Funcafé

Ao contextualizar a crise, o deputado relembrou a criação do Programa ProLeite, em 2009, que destinava recursos específicos para fortalecer a cadeia leiteira, com gestão vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri). Segundo ele, o modelo funcionava justamente por contar com recursos exclusivos para o setor.

Camargo criticou duramente a extinção do ProLeite e do Funcafé, aprovada durante a Rondônia Rural Show. “Alertei que a conta chegaria. Estavam extinguindo dois fundos fundamentais para o agronegócio. Hoje, infelizmente, o produtor está pagando o preço”, declarou.

O deputado explicou que os recursos foram transferidos à Emater para cobrir reajustes salariais. Embora reconheça a importância da valorização dos servidores, afirmou que outras fontes poderiam ter sido utilizadas. “Os fins não justificam os meios. Desmontaram políticas públicas estruturantes”, disse.

Orçamento e falta de prioridade

Outro ponto levantado foi a baixa prioridade orçamentária dada ao setor. De acordo com Camargo, mesmo com um orçamento estadual superior a R$ 17 bilhões, apenas R$ 1,7 milhão foi destinado ao desenvolvimento da bacia leiteira.

“O estado investe pelo menos dez vezes mais em publicidade institucional do que no fortalecimento da produção de leite. Isso não é falta de dinheiro, é falta de coerência”, criticou.

Produtividade baixa e perda de rentabilidade

No diagnóstico apresentado, o parlamentar apontou três fatores centrais da crise: ausência de políticas públicas estruturadas, baixa produtividade e queda na rentabilidade.

Com base em estudo da Faperon, Camargo destacou que a média de produção em Rondônia é de apenas 4,9 litros por vaca/dia, enquanto em Santa Catarina ultrapassa 10 litros. A diferença, segundo ele, revela falta de investimentos em genética, tecnologia e inseminação artificial.

Na questão financeira, o deputado ressaltou que pequenos produtores chegam a receber cerca de R$ 1,55 por litro, enquanto em estados vizinhos, como Mato Grosso, o valor médio supera R$ 2,00. “Esse desequilíbrio empurra o produtor para fora do estado”, alertou.

Cooperativismo e emendas parlamentares

Camargo apresentou propostas objetivas para o setor. Segundo ele, a Faperon apresentou ao governo, em 2024, um projeto de fortalecimento do cooperativismo, com implantação de pequenas agroindústrias para beneficiamento e comercialização do leite, mas a iniciativa foi engavetada.

Diante disso, o deputado anunciou a destinação de R$ 6 milhões em emendas parlamentares para viabilizar a implantação de dez unidades de beneficiamento em regiões estratégicas de Rondônia. “O recurso está garantido. Basta o governo agir”, afirmou.

Industrialização e entraves tributários

O parlamentar também criticou a falta de incentivo à industrialização do leite. Segundo ele, Rondônia importa grandes volumes de leite em pó por não transformar sua própria produção, além de enfrentar entraves tributários que dificultam a aquisição de maquinário e novos investimentos.

“Vivemos do setor primário, mas não criamos condições para agregar valor à produção”, destacou.

Compromisso com os produtores

Ao encerrar sua participação, Delegado Camargo defendeu a retomada do ProLeite e do Funcafé, incentivos tributários, investimentos em genética e o cooperativismo como política de estado. Também deixou uma mensagem direta aos produtores.

“Não desistam de Rondônia. Sei que muitos hoje não conseguem sequer pagar o custo da produção, mas estou aqui para lutar para que dias melhores cheguem”, finalizou.